sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sardinhass, sim, mas das nossas...

Confesso: cometi um "pecado".Possivelmente, serei absolvido, ou condenado, sim, mas a pena leve: amanhã, ao almoço, volto ao bitoque (quem diz bitoque, posso cumprir o castigo com uma feijoada com todos…).
Gosto de sardinhas assadas na brasa, de um  copo de bom tinto e uma fatia de broa - almoço perfeito!
Não sendo verão, deixei-me levar pela funcionária do mini mercado quando publicitava aos clientes a “maravilha” das sardinhas pescadas nas águas de Marrocos – tão boas, mas tão boas que pingam no pão, dizia. Então, quero uma embalagem, se faz favor…
Descongelei três “bichinhos”, temperei-os com sal grosso, acendi o lume e quando as brasas estavam “quentinhas” levei a grelha ao sacrifício…
Entretanto, no fogão, estavam a cozer quatro batatas novas com casca, das grandes…
Cumpridos os rituais de uma boa sardinhada, quando é verão e o azeite é da casa, esmerei o apetite: retirei uma posta do lombo de um dos bichos, levei-o à boca, mas …. ohhhh, o sabor era  quase nada!
Eis, pois, o meu pecado “capital”: adiantei o verão no calendário dos meus apetites e deu nisto: as batatas, o azeite, a broa e o tinto justificaram as minhas pressas, mas as sardinhas...

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A formiguinha


"Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque, sem se preocupar com o futuro. Esbarrando numa formiguinha, que carregava uma folha pesada, perguntou: 
- Ei, formiguinha, para quê todo esse trabalho? O verão é para aproveitar! O verão é para nos divertirmos...
- Não, não, não! Nós, formigas, não temos tempo para a diversão. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o inverno (...).

terça-feira, 23 de maio de 2017

"A árvore da vida"

...nota-se nas palavras 

Conheci a Sara - onze anos, com quietude no olhar e  gestos suaves. O sorriso, meio envergonhado, nota-se nas palavras, 
de meia dúzia de palavras 
- tempo da curta conversa,  com o beneplácito do avô na partilha de emoções. 
São silenciosas as lágrimas da Sara  quando o  familar mostra "A árvora da vida" - poema que a Sara desenhou  com a ternura das palavras, 
de algumas palavras  
- as suficientes e as que melhor identificam os seus sentimentos por um ente querido.
A Sara, "por dentro", é assim:


A árvore da vida

Nem quando a última pétala tiver caído,
Sobre o teu rosto enrugado,

Eu nunca te vou esquecer,
Estarei sempre ao teu lado.


Nem quando a última folha tiver secado
Sobre os teus olhos cansados

Vou te sempre amar
Beijando os teus pés calejados.


Nem quando o último ramo tiver partido
Sobre o teu corpo delicado

Eu vou estar sempre aqui
Olhando por ti, amargurado.


Mas o tronco nunca desabará
Pois ele é amor e perdão

É paciência, é carinho
Dentro do meu coração.

Afinal que árvore é esta
Nem a rosa nem a margarida
Sabem que esta árvore especial

É a árvore da vida.

*


quarta-feira, 17 de maio de 2017

... de tirar o chapéu


A última semana passou  às memórias de quem as tem, principalmente se
- aprecia o Papa Francisco
- gosta de "Amar pelos Dois"
- vibra com as vitórias do Benfica.
... Além destes  três "gostos", recebi a  confirmação de que o meu sinalzinho de trazer por casa está, de facto,  morto e enterrado, como o Doutor Eufrásio tinha previsto!
Sou um sortudo.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Como sempre, vestido de branco

Liguei a televisão. O avião que trazia o Papa Francisco planava no écran.
Preso à comodidade do sofá, fui ficando, ficando.... fiquei até ao fim - não perdi pitada das primeiras horas do homem vestido de branco em solo português!
Perdi a conta  aos minutos - alguns  deles vivi-os emocionado até à medula. 
O sorriso do Papa, os gestos do Papa, as pessoas, todas as pessoas - milhares!- em silêncio, quando foi caso disso - o silêncio de  tanta gente e (...) o tempo que tarda em passar /e aquilo em que ninguém quer acreditar (*).
Digo à Rita: 
- gostava de ter a Fé daquela gente,  se não de toda a gente, de alguma daquela gente...
- não tens essa (Fé) mas tens outra(s), disse a Rita...
"Às vezes é no meio de tanta gente / Que descubro afinal aquilo que sou / Sou um grito / Ou sou uma pedra / De um altar aonde não estou" (*) ...
-
(*) Retirado do poema de Maria Guinot " Silêncio e tanta gente"

"Aquilo" deve ser rápido...

Anda por aí um profano (logo agora, com o Papa Francisco a caminho de Fátima...) a anunciar que vai começar a terceira  guerra mundial! Está por dias - disse  ele, o profano!
Os pormenores, embora desconhecidos, adivinham-se: uns senhores  "de bem" e importantes carregam em botões e os  "foguetes" fazem puuummmmm - sabe-se lá onde!
"Aquilo" deve ser rápido...
Espero eu que os senhores "de bem" e importantes, nos entretantos, tenham congeminado uma espécie de  "Plano Marshall"  para juntar os cacos e começar tudo de novo, mas com outra gente. Talvez  uma ajudinha dos nossos vizinhos e amigos alienígenas dê jeito.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

À distância dos sentidos

Assumo a  minha aversão à violência – seja ela física ou verbal.
Da primeira quero distância; se preciso for,  aproximo-me da segunda - aguento-a com tento na língua e vou à luta quando o opositor justifica que esgrima argumentos. Não sendo de guerrear, travo as batalhas  que forem precisas.
Admito as minhas fraquezas e a ignorância do desconhecido: apenas sei “ler e escrever”, e a inteligência não me presenteou com a erudição dos predestinados.
O caráter, esse desejo-o firme não importa quando, onde e porquê – sendo humano, caio e levanto-me as vezes que forem precisas. 
Obviamente recuso-me a existir de joelhos no limbo da minha consciência, que morrerá inteira se para tanto o juízo não me atraiçoar …
Aprecio o belo de cada coisa e olho o horizonte com a atenção que é devida ao Universo. Mais perto, à distância dos sentidos, a sensibilidade de que sou capaz permite a paixão do amor - de todo o amor! Assim sendo, insisto na denúncia da minha teimosia: gosto, porque sim, sem nenhuma explicação adicional para este mau feitio de quem permanece fiel à estética do amor.
Ponto.
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... de volta ao "Confessionário" - 21 de setembro de 2011