sexta-feira, 4 de abril de 2014

Amigo de Einstein

Apresso-me para o serão quando acontece alguma coisa do meu agrado num dos canais da televisão - pode ser um jogo de futebol, um concerto musical,  uma fita de cinema ou as conversas do Professor Marcelo. Novelas, não, obrigado - vejo teatro no canal memória, em memória das minha andanças pelos bastidores de algumas salas de Lisboa, e ainda em memória dos tempos em que fui "aprendiz de artista" na minha cidade de Lourenço Marques.
Se me apresso, quero o tempo corrido, com os ponteiros do relógio a trote. Em bom rigor, o tempo escorre pela ampulheta dos segundos em velocidade de cruzeiro - não me  adianto ( nem atraso!) no tempo!
"...Para Einstein, o tempo não existe de fato, ou melhor, não existe um “Tempo real, ou um tempo absoluto”, como afirmava Newton".
Pronto, o "tempo não existe"! Tenho uma sorte "bestial" por  ser "amigo de Einstein"...


domingo, 30 de março de 2014

A dona Irene partiu

É domingo e ainda não alterei a hora - continuo nas 10 e 40.
Pela minha hora,  10 e 40, traço planos para o almoço - carne ou peixe, mas como me esqueci  de descongelar qualquer coisa para grelhar, o melhor é olhar as reservas enlatadas.
...A Smooth FM faz-me companhia, como em todas as manhãs, muito antes das 10 e 40.
A Ivânia acaba de telefonar.
- Olá senhora/menina  engenheira - brinco -  bom dia! Estás bem, filhota? E o João? ( O João é o marido da Ivânia, que entrou para a família pela porta grande - não há ninguém que não goste dele, incluindo a mãe Natália; as patilhas do João é que não eram muito do seu agrado...).
Por minutos, continuou o diálogo; falei do tempo frio desta manhã - se calhar vou acender a lareira, disse eu. A minha filha concordou:
- Aqui  (nas Caldas da Rainha)  também está frio, o  tempo está cinzento..
- Olha pai, estou a ligar para dizer que a avó Irene morreu esta noite!
A avó Irene, minha sogra,   foi uma senhora de coração enorme - maior do que o país que abraçámos como nosso: Moçambique. Foi aí, em Moçambique, na noite passada, que a dona Irene Fonseca fechou os olhos para sempre. Tinha oitenta e mais uns anos...
Agora, que passa das 11 ( pelo meu relógio...), enquanto escrevo saltam vivas as memórias  de um tempo em que a dona Irene era a matriarca da família, sempre apaziguadora de pequenas divergências.
Senhora com mãos de oiro na arte  de costurar lindos vestidos de noiva ou um enxoval inteiro para a criança que ia a batizar -  tivesse ela a cor que tivesse! - estou em crer que vai ter muitos afilhados no funeral...
A minha sogra, dona Irene, juntou-se à minha mãe Natália no Oriente eterno.
Ai... as recordações que tenho de ambas!...
Vou acrescentar mais uma hora aos ponteiros dos relógios.