domingo, 7 de dezembro de 2014

(...) estupidamente jovem de sonhos a superlotar uma "valise de carton"...

O sol que entra filtrado pela janela da sala com quarenta e dois metros quadrados de espaço útil é insuficiente para me aquecer, sentado no sofá com anos de uso mas com os pés assentes no granito do chão da lareira; quando chega o frio gelado da Estrela, ela, a lareira, renasce das cinzas depois do milagre da chama de um fósforo em comunhão  com  uma acendalha.
Como sempre, em horas do mesmo estilo e feitio, pela manhã, ouço  rádio - não uma estação qualquer, as minhas preferências vão por inteiro para a Smooth FM, que reservo em tudo quanto é aparelho  de companhia nos silêncios das  ausências físicas de filhos e netos. Se me apetece, coloco um LP de vinil no gira discos e transporto o pensamento para tempos de glória, quando se é estupidamente jovem de sonhos a superlotar  uma "valise de carton", que é o local próprio para guardar  os sonhos em qualquer idade - eu que o diga: amante do "tango", por ser tosco no ritmo, fiquei-me pelo "baile mandado"... 
Levanto-me do sofá, curvo-me para chegar à prateleira mais baixa da estante  e com a mão direita retiro à sorte, não um LP, mas o "Single" "O Tango dos Barbudos"! Coincidência... 
-  Agora vou  rodopiar na cadência da dança - sempre movimento as pernas abraçado à nostalgia de uma "matinée"  nos "Velhos Colonos", de preferência  ao som dos "Night Stars" , "Renato Silva", "Corsários", ou  dos "I Cinque di Roma" numa "soirée" do Hotel Polana...