domingo, 15 de novembro de 2015

" Lei do talião" - sim , ou não?

Sou um dos que deixa cair uma lágrima quando a emoção é mais forte do que a razão. 

Desde que me conheço, sempre reneguei a violência física. Quando a verborreia das palavras justifica  resposta a condizer na mesma forma e estilo, recuo nos gestos, faço silêncios incómodos para mim e para o meu opositor. Depois, no sossego dos meus pensamentos, revolto-me  por ser como sou, "fraco", "cobarde", talvez...

Porém, há momentos em que (parece...) nada sei de mim, o que me assusta, confesso. Agora - hoje, ontem - era bem capaz de levar à letra  a "lei do talião": olho por olho, dente por dente.

A partir do segundo em que tomei conhecimento da carnificina ocorrida em Paris, parou (quase) tudo no meu pequeno mundo: continuo preso às notícias da TV, a toda a hora, acordo uma, duas vezes por noite e recorro ao tablet para  estar a par dos desenvolvimentos dos factos, telefono a alguns amigos para trocar ideias... esqueço-me das minhas obrigações sociais, em suma.


Devo estar doente, terrivelmente doente, ou virei do juízo (?) por insistir  na punição que é devida a quem praticou tamanha barbárie.


Amanhã "estarei melhor", embora preocupado com  coisas mais comezinhas do meu universo solitário  - essas sim,  a justificarem toda a minha atenção, não vá deixar fugir  as minhas duas gatas, ambas  com cio. Anda pelo quintal um gatão  esbranquiçado,"ranhoso" e  mal tratado, triste figura que não se aconselha para namorico.

O meu coelho de estimação, o "Guilherme", levou sumiço. Continuo triste com a sua ausência. Por ele, ainda  me cai uma lágrima se não "der sinal de vida"...

... No pombal, há mais dois borrachos, lindos, lindos, brancos. Ontem deixei-os livres -  regressaram a casa depois de umas quantas piruetas e um sem número de voltinhas por cima do telhado.