domingo, 22 de novembro de 2015

Por ser domingo...


Não é o domingo que me descansa mas, por ser domingo, liberto-me de alguns afazeres institucionais - sou dono absoluto das vinte e quatro horas  deste dia cinzento e frio, como estava anunciado.
De pijama vestido e  bem agasalhado, depois do pequeno almoço, acendi a lareira e decidi reservar a manhã para terminar a leitura  de "Mulheres de Cinza", de Mia Couto.
A obra é mais uma centelha do talento  do autor, a merecer público  louvor; por mim, leitor incondicional, não lhe "perdoo" que tenha deixado a esbelta e bonita Imani,  protagonista da estória, com água na boca por não consumar  o desejo de "(...)  ser mulher...|" nos braços do sargento Germano...
O pormenor que respigo do livro trouxe à minha memória passagens do tempo que vivi nas mesmas paragens, Inhambane e arredores, sendo certo que Mia Couto não exagera nos atributos físicos  com que desenhou a jovem Imani. Inhambane, além de ser "Terra da Boa Gente", como lhe  chamou Vasco da Gama, a caminho da India, é pátria de lindas mulheres. Perdi-me de amores por uma...
Hoje, por ser domingo, decidi-me por um "almoço à portuguesa": bacalhau com batatas e couve tronchuda. O bacalhau foi pescado nos mares da Islândia,  as batatas e a couve vieram do quintal do vizinho;  azeite novo (das minhas oliveiras)  e  dois dentes de alho (espanhóis)   condimentaram o prato. Para acompanhar, com requinte de escanção, escolhi um vinho alentejano de 2003 e  deixei-o "respirar"  a preceito...
Para sobremesa, uma fatia de queijo de Seia e uma banana do Equador...
De volta à lareira, fiz-me acompanhar de um café "Delta"  e  beberiquei  boa porção de medronheira,  do tempo da mãe Natália. 
- "Almoço à portuguesa", ou quase...
A tarde insiste na melancolia  dos dias tristes e as  gatas não "pedem" para ir ao quintal, como é hábito.