segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Prazeres implícitos

Há dias em que baralho as ideias de tal forma que me obrigo a reflexão mais ou menos minuciosa, muito ao estilo de um seguidor de Buda…
O mundo, na verdade, não fica de “pernas para o ar” pelo simples facto de um mortal assumir que em certas horas se confunde…
Depois do almoço, vou ao café. Enquanto espero pela bica passo a vista pelo jornal à disposição dos fregueses, leio os desenhos dos títulos, faço pausa circunstancial nas fotografias, viro as páginas sem atenção aos “classificados” – entretanto, tenho a chávena à minha frente…
Um dia destes, o jornal ficou como estava, com uma das páginas dos anúncios aos olhos de quem vê. E li que determinada senhora oferece os seus préstimos para acalmar o stress dos leitores. Em meia dúzia de linhas apresenta o seu currículo físico e deixa adivinhar nos três pontos do final do texto prazeres implícitos - o normal, com o pormenor acrescido de, dizia ela, ter sido namorada de um futebolista!
No reino da publicidade há palavras “plebeias” que empurram o (possível) cliente para o consumo de determinado produto; no caso, o facto (?) da referida dama ter namorado com um fulano que ganha a vida ao chuto (numa bola), acrescenta mais valia ao “artigo” do anúncio – terá pensado a autora.
Apesar de óbvia, a informação peca pela escassez de pormenores e de um  título a condizer:
- “Fulana de tal, ex namorada do futebolista Y, assume-se como prostituta”.