sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Dolce far niente


Um dia de outono cinzento pede o calor da lareira e um dolce far niente
... Posso ler... olhar a tv, clicar o facebook, blogar, alinhavar o lume, bebericar medronheira, mastigar figos secos, pensar, vadiar o espírito (memórias do professor Agostinho da Silva)...
Digo de mim para mim, em silêncio: dia com tempo triste, mas nada chato, ocupo a mente, o corpo pede  descanso, descanso-o - mereço o que tenho neste dolce far niente., (...) deste modo fica mais fácil transformar cada dia da vida em uma pequena mas valiosa obra de arte (...). Pois...
Na falta de Moet Chandon, fico-me pela  medronheira...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Tango: no es lo que quieres, pero ....

Invento-te nos silêncios das horas incertas.
Posso não te querer,
mas quero-te muito bem - tanto, tanto como se te quisesse
a todas as horas,
sem silêncios - bastava....
-
(...) "Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além"
-
 Mário de Sá Carneiro
Excerto do poema "Quase"

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Com um pastor "assim"...

Subi a rua e fui ao Café Portugal apostar coisa pouca no “euromilhões”.
-Boas tardes! – disse eu à chegada.
-Boas tardes, amigo Carlos! – respondeu o Sr. Carlos, dono do café.
Àquela hora, encostados ao balcão, estavam num colóquio dois presumíveis clientes; um, deu dois passos, estendeu-me a mão e foi simpático e gentil no cumprimento. O outro, olhou de soslaio, e por aí se ficou, disposto a voltar à conversa, entretanto interrompida.
Reconheci a figura pelo porte, mas como o cavalheiro nunca me foi apresentado, não dei importância à falta do institucional e politicamente correto “boa tarde”, embora entenda que um autarca, deve conhecer as "ovelhas do seu rebanho”, repartindo os mimos, sejam elas, as "ovelhas", de cor branca, preta, vermelha ou laranja!...Com um “pastor” assim, longe da simpatia, é natural que algumas andem tresmalhadas…
Paguei a aposta do jogo, dei meia volta, saí calado, e só parei na “Silmoda” - está na montra um “pólo” vermelho que trago “atravessado na carteira”; infelizmente a “Lacoste”  não foi de férias e quanto a saldos …
Se me sair o “euromilhões”, compro a peça de roupa e volto ao Café com ela vestida à hora da tertúlia. Sempre quero ver se o “ pastor” me reconhece pela cor do “pólo”, que é vermelho.
-
Texto adaptado  de uma corniqueta publicada em agosto de 2006

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Prazeres implícitos

Há dias em que baralho as ideias de tal forma que me obrigo a reflexão mais ou menos minuciosa, muito ao estilo de um seguidor de Buda…
O mundo, na verdade, não fica de “pernas para o ar” pelo simples facto de um mortal assumir que em certas horas se confunde…
Depois do almoço, vou ao café. Enquanto espero pela bica passo a vista pelo jornal à disposição dos fregueses, leio os desenhos dos títulos, faço pausa circunstancial nas fotografias, viro as páginas sem atenção aos “classificados” – entretanto, tenho a chávena à minha frente…
Um dia destes, o jornal ficou como estava, com uma das páginas dos anúncios aos olhos de quem vê. E li que determinada senhora oferece os seus préstimos para acalmar o stress dos leitores. Em meia dúzia de linhas apresenta o seu currículo físico e deixa adivinhar nos três pontos do final do texto prazeres implícitos - o normal, com o pormenor acrescido de, dizia ela, ter sido namorada de um futebolista!
No reino da publicidade há palavras “plebeias” que empurram o (possível) cliente para o consumo de determinado produto; no caso, o facto (?) da referida dama ter namorado com um fulano que ganha a vida ao chuto (numa bola), acrescenta mais valia ao “artigo” do anúncio – terá pensado a autora.
Apesar de óbvia, a informação peca pela escassez de pormenores e de um  título a condizer:
- “Fulana de tal, ex namorada do futebolista Y, assume-se como prostituta”.