quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A "arte de furtar”


(...) Veio parar-me às mãos uma edição gráfica da Gulbenkian onde se podem ler alguns textos escritos no Século XVII. Um deles, sem nome do autor, intitula-se a “Arte de Furtar”. 
Ficam os títulos de alguns capítulos do texto panfletário (?), para merecimento da atenção do leitor:
“Como para furtar há arte, que é ciência verdadeira” 
“Como a arte de furtar é muito nobre” 
“Como os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões”
“Como se furta a título de benefício”, etc...
“… Assim se prova que há arte de furtar; e que esta seja ciência verdadeira é muito mais fácil de provar, ainda que não tenha escola pública, nem doutores graduados que a ensinem em universidade, como têm as outras ciências...” – anotou o escrevinhador, ilustre desconhecido.
Como se fala de crises, bancos sem dinheiro, paraísos fiscais e outras negociatas, o livrinho… nem de propósito, parece ter saído agora do prelo.
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Excerto de uma croniqueta publicada em abril de 2009

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

“Não digas a ninguém que nos namoramos, é ridículo. Amamo-nos”.

Ofélia e Fernando Pessoa

Em 2005, deste amor,  sentimento maior,  fiz  coisa minha...

Num compasso por inventar
escrevo suaves melodias
com gestos de Ofélia virtual.
E eu, sempre “pessoa”,
canto as palavras
em tom quase divino
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Há amores assim, feitos à medida das grandes paixões,  eternos...



Imagem  surripiada  na net 

Vale a pena  ler a notícia do Expresso:

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-02-14-O-ultimo-desencontro-entre-Ofelia-e-Fernando-Pessoa



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Querem "roubar" o meu golo!

Por mero acaso algum dos meus estimados/as leitores/as viu o jogo da bola entre o Benfica e uma equipa russa? Sim, alguém viu? Repararam na minha “pessoa”? Sim, “eu” estava lá, no jogo!!!
 O resultado, já se sabe, é o que menos importa  nestes joguinhos  a “feijões”, mas sempre  vos digo que o Benfica  deu uma cabazada de um a zero aos azuis da Rússia – e que golo, aquele! Eu conto…
Como sabem, sou mediano na altura; no meio de autênticos gigantes lá estava “eu”, de costas viradas  para a baliza do adversário. A  bola veio pelo ar,  direitinha à minha cabeça,   e “eu” nem precisei de grande  salto: um gesto técnico, muito ao “meu estilo”, e pimba:  lá para dentro! O guarda redes nem cheirou a chincha, viram?
O que “chateia”  é a troca  do  “meu” nome. Como é possível dizerem que foi um “tal” de Jonas a dar a cabeçada na “chincha”? “Tá” tudo doido, ou quê? Aumentem o zoom, parem a imagem, mudem de óculos se preciso for, maltinha. O golo  é todo “meu”, isto é um roubo  - vou queixar-me à Sociedade Portuguesa de Autores. E já!!!
Para que não restem dúvidas, aqui está a minha foto a preto e branco,  equipado a rigor (não se nota a cor da camisola, desculpem lá, mas é vermelha, garanto), de águia ao peito,  feliz da vida "depois do golo... que me querem roubar".

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

.... e a neve aqui tão "perto"

Era fevereiro, noite de carnaval. O "Laguna" trazia quatro passageiros, eu guiava isento de proibições. Era  madrugada... De Tortosendo, perto da Covilhã, até ao meu sítio,  meia centena de quilómetros de curvas, muitas,  e uma serra, da Estrela, feita de montes, sobre e desce, desce e sobe...Uns salpicos, sorrisos ...- Olha,  começou a nevar! Os salpicos cresceram; arrastados pelo vento, transformaram-se em nuvem, enorme, inteira. Médios, depois máximos - visão de  dois, três metros, não mais...O "Laguna" e quatro passageiros...Sobe e desce, desce e sobe o manto branco, branco, como a neve - era NEVE, nunca  vista assim, medonha, maré cheia  de mar tenebroso! Não há estrada à vista, sigo a sinalização: mais curvas. E contracurvas...Medos, silêncios. Terceira, segunda em passo lento - tão lento que perdi o conto às horas... Quase manhã, a dois passos de casa voltaram as falas e os meios sorrisos.
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... Neve? Quero vê-la à  distância da câmara do iPhone, que é milagreiro no recorte da imagem - não se nota?



Com "estrela Michelin"

Não perco pitada das estórias contadas em jeito de crónica pelo escritor Rui Zink, daí que procure alguns dos seus subsídios para meios sorrisos eloquentes, como o excerto deste texto: “Dinossauros excelentíssimos”, que pode ser lido nas suas crónicas benditas: “Luto pela felicidade dos portugueses”.
“…Ao almoço, no restaurante:
- O que recomenda?
- O pargo está uma delícia, e além disso é licenciado em Económicas
- Hum… licenciado em Económicas…
- Mas olhe que está uma categoria…
- Eu sei, mas queria qualquer coisa mais substancial. Não tem nada com mestrado?
- Peixes não, mas tenho umas costeletas de vitela que estão a tirar o doutoramento em Oxford. Fritinhas e servidas com batatas da Católica ficam uma maravilha”.
(...)
Obviamente, dei preferência ao pargo, sempre era licenciado em Económicas...