quarta-feira, 8 de junho de 2016

Mais árabe que judeu

Atravesso um tempo de memórias, umas minhas, outras de ouvir dizer aos "antigos". Nada de preocupante, digo eu  que sou sujeito de me amarrar  a lembranças com gente dentro, principalmente quando se trata de paixonetas da adolescência, ou então, de ouvir dizer sobre as minhas origens  beirãs com sangue judeu, afiançam uns, outros  dizem  ser boato, árabe talvez...
Nada preocupado com a minha árvore genealógica, recordo  a semana que passei em Jerusalém no ano de  1979. Um dos companheiros de viagem, durante a visita ao mercado árabe, teimou que vestisse uma túnica - fiz-lhe a vontade, o vendedor ornamentou-me  a preceito, e como eu usava barba inteira, fiquei à semelhança  do homem da  loja. 
- Tal e qual, nariz e tudo - diziam os meus parceiros de viagem. O vendedor sorria, e num inglês "macarrónico" concordou com  a opinião  dos "tugas"  que me acompanhavam. Pois, mas não fez negócio com a túnica...
Aparentemente, esta estória não tem nada a ver com paixonetas, mas tem, aconteceu mesmo, é minha por mérito de uma paixão que, nesse tempo,  era "secreta"  aos olhos da Imprensa cor de rosa da época.
... Em 1985 nasceu  a Ana Rita.

domingo, 5 de junho de 2016

Dia da Ponte

"Dia da Ponte"

S. Simão é o santo padroeiro do Barril de Alva, o meu sítio, mas o grande evento popular da aldeia acontece pelo  S. João. Em tempos idos, a festa era de arromba. Agora nem tanto.
Como as memórias não se apagam, as pessoas insistem na festa, que é diferente desse passado distante, até na paisagem: no local não havia restaurante nem parque de autocaravanas - havia, sim, o “parque de merendas”, que permanece alindado para continuar a receber o povo…
No domingo, “Dia da Ponte”, o ritual da merenda, com animação garantida pela Filarmónica, ainda mexe com as emoções dos mais velhos, onde me incluo mas sem grandes méritos nos folguedos.
Bonito, bonito era antigamente …
Vinham as pessoas de cá e de fora, muitas da zona de Almada, com as merendas em cestas; vinha a banda, o fogueteiro trazia os foguetes, a senhora que vendia tremoços também não faltava. Idem, idem para o tinto morangueiro, e a festa subia na tarde, sem hora certa para o final, à noitinha, depois do despique foguetório com Vila Cova de Alva, na margem esquerda do rio Alva, que fazia da capelinha de S. João de Alqueidão, sobranceira ao rio, local de romaria.
Depois dos comes e bebes, cumpridas as tradições, estrada fora, a Banda afinava “A Marcha do Barril”, e as pessoas com balões ao alto afinavam na letra: “Lá vai o Barril / lá vai engraçado / lá vai o Barril…”!
As gargantas ainda entoavam outras cantiguinhas que, hoje, estão praticamente esquecidas, ao contrário da “Marcha”. Esta, por exemplo:
“Lindas moças, faces rosadas / caras tão lindas são sempre amadas / vamos para a festa da nossa ponte / que linda tarde ao pé da fonte”.
Este ano, o “Dia da Ponte”, que encerra os festejos Sanjoaninos, é no próximo dia 26.
Como sempre, toca a Banda e o povo canta:
- “Lá vai o Barril / lá vai engraçado / lá vai o Barril…”

Fico-me pela rama das lembranças - quem as tem bem vivas e inteiras é a “ti” Cacilda, a Clarinda, a Clara, a Fernanda Castanheira e mais umas “raparigas” daqui, do meu sítio.