sexta-feira, 13 de maio de 2016

Beleza de maio


Em maio - sorte a minha pelas rosas vermelhas do meu jardim 
*
(...) A minha rosa vermelha
mais parece uma romã
pois quando aberta de noite
não se fecha de manhã (...)
- Ary dos Santos -

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Morrer de amor


"...Sempre tinha julgado que morrer de amor não passava de uma liberdade poética.Naquela tarde, de regresso a casa outra vez sem o gato e sem ela, verifiquei que não era só possível morrer, mas que eu próprio, velho e sem ninguém, estava a morrer de amor.
...Mas também me apercebi que era válida a verdade contrária: não teria trocado por nada deste mundo as delícias do meu pesar".
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Gabriel Garcia Márquez
"Memórias das minhas putas tristes

terça-feira, 10 de maio de 2016

Delicodoces e crocodilianas






Num sonho fiz de morto
e deixei-me ficar assim, morto,
esperando pelas palavras
delicodoces
e  lágrimas
crocodilianas.
Acordei nos entrementes  do sonho
sem o  merecimento de palavras
delicodoces
e lágrimas
crocodilianas
devidas a quem falece
sem ser num sonho

Uma vénia aos mestres

Domingo com chuva, alguns raios de sol, vento e frio, muito frio. Nada de mais, estava previsto - o melhor era aproveitar o tempo, em casa e não fora dela, ocupando as horas com alguma utilidade mental; o corpo pede descanso, descanso-o, mas um dia destes, na próxima ida às compras, terei de acrescentar alguns centímetros à cintura das novas calças e trocar o símbolo “M” pelo “L” nas camisas.
Um domingo assim deixa-me sisudo comigo mesmo, e ainda bem que é só comigo - imagine-se outra companhia para além das duas gatas, que não falam, mas miam coisas, pedem coisas: comida, um passeio pelo jardim… - não sou simpatia de ter por perto nos dias como o de hoje, que é domingo…
É domingo e chove. Sem obrigações institucionais ou outras, ocupei as horas com alguma leitura.
Regressei aos alfarrábios dos meus tempos de adolescente e fui encontrar um livro deveras interessante: “Da Pintura Portuguesa”, de José Augusto França, coleção “Ensaio”, edição “Ática”. As coisas que eu lia!...
Mais tarde, espreitei os blogs a que me associei pela leitura, descobri mais uns quantos - perdi-me nas horas.
Ainda preso à leitura, entrei na noite, encerrei o dia…
Pensando bem, quem sou eu, se “não sei ler nem escrever, só soletrar…”? Bem preciso de alguém que me dê ”a primeira letra (…)”.
Uma vénia aos mestres que me ensinaram a arte de sonhar, lendo.