sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

"Cinderelas"



Uma das prerrogativas de quem guarda memórias é ter saudade de qualquer coisa, de alguém, de um tempo. Se ouço um fado de Coimbra – um que seja - tenho saudade das serenatas que, durante um ano letivo, me libertavam do sono, noite após noite, porque tive a sorte de morar num apartamento paredes-meias com uma "república" feminina – era por elas, as residentes do segundo andar, que os estudantes faziam trinar as cordas das guitarras e sobressair as vozes potentes, entoando melodias românticas: eles, “perdidamente apaixonados”; elas, “…bate, bate coração/ louco, louco de ilusão…”, quais Cinderelas que o Carlos Paião havia de imortalizar anos mais tarde.
Algumas pessoas, como o Paião, deviam ser eternas, não pelas memórias que guardamos de si, mas “vivinhas da silva”, em carne e osso, para podermos, nós e as gerações seguintes, usufruir do seu talento.

(Imagem surrrupiada da net,com a devida vénia...)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

"Principes" ao sol

Os "rapazes" cá de casa ficaram confusos quando lhes indiquei uma nova cama na marquise, onde não falta um cobertor, dos fofinhos. Os olhares,  admirados com tamanha simpatia,  subiam do "berço"  às minhas mãos, o "tarzan" ronronava, o "saguin" nem por isso; por fim decidiram testar   o cobertor, dos fofinhos, e deram-se por satisfeitos - mentirinha minha, confesso: do que as "crianças" gostam, mal a noite se põe,  é do quentinho  da lareira, como se o sol adormecesse  por ali. Durante o dia, ou  o parque multiusos do quintal ou a mesinha estrategicamente colocada junto à janela da sala  - aí, sim, havendo sol, fica quentinho até tarde...
A jarra em cobre é que paga, volta não volta vem parar ao chão.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O amigo alentejano

RiTuAL -  memórias 28.01.09

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(...) Não somos um povo alegre, mesmo no Carnaval “abrasileirado”, que está por dias, mas temos queda para associar estórias ao anedotário nacional, mesmo agora, em tempos de crise. Valha-nos isso!
O meu amigo alentejano Davide (com e no fim…), de sotaque a preceito, é excelente contador de anedotas; algumas têm “barbas”, mas como faz a festa por inteiro, do princípio ao fim, sempre a rir e com gestos largos (é um homem sem “crises” - será?), as piadas cheiram a novo. Agora perdi-o de vista, não aparece nas tertúlias que por hábito frequentávamos – o frio da noite leva a “malta” da ESTGOH a recolher cedo (tem dias…) e o alentejano, possivelmente, está em estágio… para os exames! É bom de ver que este amigo é estudante do ensino superior e já me garantiu que há-de voltar para terras de Amareleja com o “canudo” na mão – não duvido que o faça!
O jeitinho para actor é inato; se eu “mandasse”, fazia do Davide um profissional à altura da melhor concorrência do Stand Up Comedy nacional (...) .